No Marrocos, ser marroquino significa que se espera que se seja muçulmano – e não apenas por sua família e comunidade.

“O código penal sustenta que todos os marroquinos são muçulmanos; portanto, aqueles que se convertem ao cristianismo enfrentam problemas legais, além de ameaças à sua segurança”, revela Jawad Elhamidy, presidente da Associação Marroquina de Direitos e Liberdades Religiosas.

De acordo com a lei marroquina, tanto o proselitismo (falar de outras religiões ou evangelizar) quanto a conversão para outra religião que não o islã é um crime que acarreta uma sentença de prisão de seis meses a três anos.

Enquanto os cristãos estrangeiros que vivem no país desfrutam de relativa liberdade para praticar sua fé, desde que não pratiquem proselitismo, essa liberdade não se aplica aos cristãos marroquinos.

“Se um marroquino entrar em uma igreja, uma de duas coisas pode acontecer – um policial sentado em frente à igreja o prende ou o clérigo encarregado da igreja pede que a pessoa saia, a menos que o objetivo seja o turismo”, explica Elhamidy.

Os líderes das igrejas autorizadas pelo governo para uso dos estrangeiros estão sob pressão para não permitir a entrada de marroquinos porque podem ser presos por tentar evangelizar.

Em 2019, o Marrocos se classificou para a Lista Mundial da Perseguição, produzida pela Portas Abertas e que classifica os 50 países onde é mais difícil viver como cristão.

Desde então o país não saiu mais da classificação e subiu de 35º para o 26º lugar.

O relatório do país de 2020 detalha “pressão extrema” forçando os cristãos marroquinos a se encontrarem secretamente nas igrejas domésticas.

Quase tão intensa é a pressão da família e das comunidades que os convertidos enfrentam quando querem praticar sua nova fé, de acordo com a Portas Abertas.

“Enquanto a lei pune apenas a proselitismo, os convertidos ao cristianismo podem ser punidos de outras maneiras, por exemplo, perdendo os direitos de herança e a custódia dos filhos”, afirma o relatório.

“Eu vou matar vocês dois”Quando uma cristã recém convertida a Jesus disse à família que se tornara cristã juntamente com seu noivo, imediatamente sofreu as consequências.

“Um irmão me espancou depois que minha irmã mais velha gritava, dizendo a ele que me matasse, e meus outros irmãos e irmãs também me deram muitos problemas.

‘Eu vou matar vocês dois’, um dos meus irmãos nos disse um dia e uma cunhada uma vez começou a me acusar em voz alta, e na rua, de ser cristã”, disse a mulher, cujo nome está sendo preservado por motivos de segurança.

Quando ela disse à família que queria se casar com o noivo cristão, as coisas ficaram ainda mais difíceis.

“Ambas as famílias fizeram de tudo para impedir que nos casássemos, e depois trabalharam para o nosso divórcio.

Chorei muito porque isso me causou muito sofrimento”, disse ela.

Agora, anos depois, as famílias ainda não aceitaram sua fé cristã, mas as coisas são menos difíceis.

Com o apoio da Portas Abertas, o casal hospeda uma igreja doméstica em sua casa enquanto o marido estuda teologia.

Coragem para ser diferenteA Igreja Perseguida é formada em sua maioria por cristãos ex-muçulmanos.

Nossos irmãos que renunciaram ao islã vivem em um ambiente hostil, marcado pela opressão islâmica.

Na maioria dos casos, a perseguição começa dentro de casa, pois são rejeitados pela própria família.

Muitos são expulsos da comunidade onde vivem.

Eles precisam de muito apoio para serem encorajados a viver a nova fé em Cristo em meio a um contexto tão opressor.

É por isso que no DIP 2020 o convidamos a se unir a eles nessa jornada.

De mãos dadas com você, eles podem dar passos firmes e crescer na fé!Saiba mais sobre o Domingo da Igreja Perseguida 2020 e cadastre sua igreja! Participe dessa onda de oração e amor aos cristãos perseguidos.