A Formação de Famílias Cristãs Fortes

Título: A Formação de Famílias Cristãs Fortes e Felizes

TEXTO: Salmos 127.

Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão que penosamente granjeastes; aos seus amados ele o dá enquanto dormem. Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão. Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade. Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta (Salmos 127).

O Salmo 127 era “um cântico gradual”, usado pelos judeus peregrinos ao se aproximarem de Jerusalém, e, em especial, quando o templo começava a ser visto no horizonte. Usadas nesse cenário, as palavras “casa” e “cidade” tinham conotações especiais: a “casa” referia-se ao templo, e a “cidade” era Jerusalém. Jeová — não a pedra, os tijolos, nem a argamassa — dava ao templo significado e fazia Jerusalém ser forte.

Todavia, a palavra “casa” tinha um significado mais amplo do que esse. No texto original, não aparece o artigo definido “a” antes de “casa”. O versículo diz literalmente: “Se o Senhor não edificar uma casa” — qualquer casa. Leiamos o salmo mais uma vez. É óbvio que o lar é o principal alvo do salmo: “Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão”. Por isso a família está incluída nas afirmações iniciais do salmo: “se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam”; se o Senhor não edificar a família, em vão trabalham os que a edificam. Tenha em mente as palavras “Senhor” e “família”; elas serão retomadas vez após vez nesta lição.

Dando continuidade à série sobre o casamento e o lar, veremos agora os relacionamentos dentro do lar. Por enquanto, enfocaremos o tema: a criação de filhos.

Este estudo recebeu o título de “A Formação de Famílias Cristãs Fortes e Felizes” porque a maioria de nós queremos ter famílias assim. Foi feita uma pesquisa entre grupos tão variados como universitários recém-formados, executivos de grandes empresas citadas na lista Fortune 5002 e assinantes de revistas obscenas. O desejo número um das pessoas de todos esses grupos era relacionamentos familiares fortes.

Certa vez, Royce Money palestrou num grêmio municipal em Springfield, Missouri, nos Estados Unidos. Ele distribuiu uma folha de papel para cada participante e pediu que escrevessem nela cinco coisas que tinham muito valor para eles. Podiam alistar pessoas, atividades ou conceitos. Depois de pensarem muito nessas atribuições, ele disse: “Tenho uma má notícia para vocês: quero que risquem um item da lista”. O grupo resmungou. Então, o sr. Money pediu que riscassem mais outro item, e depois mais outro. Dessa vez, o grupo resmungou pouco; riscar os itens tornou-se um negócio muito sério.

Finalmente, restaram só dois itens na lista. O sr. Money disse: “Não vou ser tão cruel a ponto de pedir que risquem mais um item”. Então, ele perguntou aos presentes: “Quantos de vocês ainda têm sobrando na lista algo relacionado com família?” Quase todas as mãos foram erguidas. A seguir, ele tornou a perguntar: “Quantos de vocês têm sobrando na lista algo relacionado com Deus?” Novamente, quase todas as mãos foram levantadas.

Trabalhos, passatempos, liberdade política e outras questões eram todos itens secundários em relação à família e a Deus. O sr. Money fez mais uma pergunta: “Quanto tempo você passa refletindo nessas prioridades?” As expressões nos rostos dos presentes no auditório respondeu a pergunta.

Nesta lição, estaremos falando sobre a família e Deus. Faremos uma abordagem positiva: “A Formação de Famílias Cristãs Fortes e Felizes”. Não temos de olhar muito para detectar o que

está errado nas famílias de hoje. Poderíamos citar estatísticas deprimentes sobre divórcio, infidelidade, abuso infantil e violência doméstica. Em vez disso, vamos olhar para o lado promissor. Também existem famílias felizes — famílias fortes, famílias cristãs. A pergunta que estamos fazendo é: “O que torna uma família forte e feliz?” A resposta óbvia é que essas famílias são o que Deus quer que elas sejam.

Isto pode ser um pouco vago. A maioria de nós precisamos de “ganchos” que nos sirvam de apoio para entendermos um assunto. Vamos nos apoiar, então, em seis fatos de uma pesquisa feita por Nick Stinnett.

Vários anos atrás, o Dr. Stinnett, então professor de Estudos da Família na Universidade Estadual de Oklahoma, ficou interessado em aprender mais sobre o que torna uma família forte. Na ocasião, foi feita uma pesquisa principalmente sobre o que havia de errado com a família. Ele começou a estudar famílias fortes. Para se enquadrarem, as famílias tinham de demonstrar um elevado grau de felicidade conjugal, um elevado grau de satisfação entre pais e filhos e parecer preencher as necessidades mútuas num nível também elevado.

Muitas famílias foram entrevistadas. Quando as informações foram processadas, seis qualidades nessas famílias vieram à tona, numa percentagem notavelmente elevada:

1) Os membros expressavam admiração e estima uns pelos outros.

2) Os membros demonstravam bons padrões de comunicação.

3) Os membros passavam tempo juntos.

4) Os membros eram comprometidos com a família.

5) Os membros tinham um elevado grau de orientação religiosa.

6) A família tinha a habilidade de lidar com crises de maneira positiva.

Esse não é o fim da história. Quando o Dr. Stinnett discutiu essas descobertas com outros envolvidos em fazer as entrevistas, eles reconheceram que cada uma dessas qualidades é citada na Bíblia. Isso não deve causar surpresa para nós.

O que o salmista disse? “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam.”

Uma das maiores carências nas famílias de hoje é admitir que a Bíblia tem as respostas para todos os aspectos da vida — incluindo os relacionamentos pessoais. Se você quer um casamento maravilhoso, deve recorrer à Bíblia. Se você quer uma amizade maravilhosa, deve recorrer à Bíblia. Dizem que “podemos abrir o Novo Testamento ao acaso, e encontrar, em qualquer página, alguma coisa que nos ensine como nos dar bem uns com os outros” — e eu acredito nisso. João salientou que não podemos amar a Deus sem nos dar bem uns com os outros (1 João 4:20, 21). Jesus proclamou que devemos tratar os outros como gostaríamos de ser tratados (Mateus 7:12)6 . Tiago disse que se não demonstrarmos misericórdia, receberemos “juízo sem misericórdia” (Tiago 2:13)!

Poderíamos usar uma variedade de abordagens para apresentar esses princípios bíblicos que formam famílias cristãs fortes e felizes — e cada abordagem teria o seu valor. Optamos por usar as seis qualidades já alistadas e examinar como cada uma é ensinada na Bíblia. Falaremos rapidamente de cada uma, mas o suficiente para, pelo menos, imprimir a idéia de que parar ter o tipo de lar que queremos, temos de deixar que o Senhor edifique os nossos lares — seguindo as instruções que se encontram na Bíblia.

APRECIAÇÃO MÚTUA

A primeira qualidade de famílias fortes foi expressa nos seguintes termos: “Famílias fortes têm membros que expressam consistentemente apreciação uns pelos outros. Eles se edificam uns aos outros psicologicamente e fazem os outros se sentirem bem consigo mesmos”. Esse tipo de comunicação é importante na família. A comunicação é importante na vida em geral. Todos nós gostamos de ser estimados.

Algumas negativas sempre farão parte da vida, mas um pouco de negativismo pode deixar cicatrizes permanentes. A comunicação positiva é especialmente importante nos relacionamentos dentro da família. Podemos ser depreciados ou criticados pelos de fora do nosso círculo familiar; mas quando recebemos o mesmo tratamento daqueles que são mais importantes para nós, isto pode acabar conosco.

A Bíblia diz alguma coisa sobre expressar apreciação e edificar um ao outro? Você sabe que sim. Usamos Efésios 4:29 numa lição anterior: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem”. Outra passagem que nos vem à mente é 1 Tessalonicenses 5:11: “Consolai-vos, pois, uns aos outros e edificai-vos reciprocamente, como também estais fazendo”. Olhando para o assunto do ponto de vista de não se expressar apreciação, poderíamos ir para a triste pergunta de Jesus em Lucas 17:17: “Não eram dez os que foram curados? Onde estão os nove?

A maioria de nós temos muito para agradecer aos nossos familiares, mas é muito frequente nos julgarmos merecedores dessas bênçãos.

Alguém pode perguntar: “Você está dizendo que nossas palavras dentro do lar nunca devem ser negativas?” Não, isto seria irracional, fora da realidade e da Bíblia; mas podemos manter um equilíbrio.

Os peritos em comunicação sugerem que o conteúdo verbal dentro do lar deva ser oitenta por cento positivo. Podemos aprender uma lição com Paulo a respeito disso. Via de regra, Paulo usava “o método sanduíche” ao lidar com o negativo: ele começava uma carta com o positivo, depois tratava do negativo e, finalmente, encerrava com uma observação positiva. O negativo era o recheio do sanduíche, ficava entre as declarações positivas de amor e apreciação.

BOA COMUNICAÇÃO

Os pesquisadores alistam a próxima qualidade como “bons padrões de comunicação”. Em mais de quarenta anos de aconselhamento, tenho descoberto que a falta de comunicação é invariavelmente um fator agravante em casamentos e famílias problemáticas. Por isso não fiquei surpreso ao saber que “bons padrões de comunicação” é uma característica de casamentos e famílias fortes.

Comunicação — poucas necessidades são mais importantes, mas poucas necessidades são mais difíceis de serem supridas. Sendo alguém que passou a vida inteira tentando se comunicar através das línguas falada e escrita, às vezes quase entro em desespero. Como é difícil um ser humano transmitir um pensamento, uma idéia, ou um sentimento para outro ser humano!

O tema da comunicação é amplo, mas aqui está uma lista de algumas características dos padrões de comunicação em famílias fortes:

1) Os membros de famílias fortes tentam se comunicar entre si; eles querem entender e ser entendidos. Dedicam tempo para falar e ouvir.

2) Os membros de famílias fortes sentem-se livres para expressar como se sentem — e essa expressão é estimulada.

3) Em famílias fortes, os membros não têm que ter o mesmo sentimento em relação a tudo.

Os diferentes membros respeitam-se mutuamente.

4) Em famílias fortes, o que é dito não é tão importante quanto como é dito.

5) Em famílias fortes, a comunicação se concentra no positivo, e não no negativo.

6) Os membros de famílias fortes aprendem a ouvir uns aos outros — e a responder adequadamente, tanto na forma verbal como na não-verbal.

7) Em famílias fortes, a comunicação tem um elevado grau de espontaneidade — pontuada

com uma porção generosa de humor.

Alguma passagem bíblica vem à sua mente em relação a essas características? Muitos textos bíblicos enfocam o falar e o ouvir. Tiago 1:19b diz: “Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Outras passagens sugerem atitudes gerais que devem caracterizar os nossos relacionamentos dentro do lar — passagens como estas:

Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou (Efésios 4:31, 32).

Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição (Colossenses 3:12–14).

Um versículo que parece bastante adequado já foi mencionado brevemente em outra lição:

Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Efésios 4:15). A ênfase desta passagem está na verdade da Palavra de Deus (João 17:17), mas o contexto nos permite um uso mais amplo da palavra “verdade” — ou seja, a verdade em geral. Leiamos o versículo 25: “Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros”. Apliquemos isto aos relacionamentos familiares. Devemos ter liberdade em nossa comunicação; devemos nos sentir livres para falar a verdade uns aos outros. Ao mesmo tempo, devemos aceitar uma restrição: o que falamos deve ser sempre temperado com amor. Esses dois itens — verdade e amor — devem estar sempre juntos. Aqui está uma linha digna de ser lembrada: “Verdade sem amor é, na melhor das hipóteses, insensibilidade e na pior, tirania, mas amor sem verdade é hipocrisia”.

TEMPO JUNTOS

A próxima qualidade foi citada como “passar tempo juntos”. Obviamente, muitas das qualidades esbarram uma na outra: se não passamos tempo juntos, não podemos expressar apreciação, nem aprender a nos comunicarmos.

Passar tempo juntos — tanto no aspecto de qualidade quanto no de quantidade — talvez seja um dos maiores desafios que muitas famílias enfrentam. Outra estudiosa que fez uma pesquisa semelhante à do Dr. Stinnett é Dolores Curran, que escreveu um livro intitulado Traits of a Healthy Family (“Traços de uma Família Saudável”). Nesse livro, ela disse que a falta de tempo pode ser o inimigo que mais invade a família saudável.

Outra autoridade, James Dobson, disse que ele não conhece nenhuma família que não esteja com a agenda sobrecarregada. Houve uma época em nossa sociedade, em que a maioria das atividades giravam em torno do lar, mas isso não acontece mais em muitos lares. A vida tem sido fragmentada por causa das numerosas organizações para adultos e todas as atividades em que os filhos se envolvem. Os membros das famílias estão achando mais difícil passar tempo juntos. Famílias cristãs, fortes, saudáveis e felizes arranjam tempo para seus membros estarem juntos.

A necessidade de passar tempo juntos é salientada por passagens da Bíblia como Deuteronômio 6:5–7 e 9:

Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te… E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.

A instrução dada aqui presume que pais e filhos estejam juntos em casa, andando pelas ruas, na hora de dormir e de manhã. A passagem não dá a entender que temos de estar com os outros membros da família todo o tempo em que estivermos acordados. O sentido aqui é que os pais reservem tempo para estar com os filhos, e os adolescentes, reservem tempo para estar com os pais. As atividades em família são uma parte essencial de nossas agendas. (Algumas famílias reservam uma “noite da família”.) Fazer isso requer que desviemos a ênfase no aspecto material de nossas vidas e determinemos o que é realmente importante (veja Mateus 6:24–34). Por exemplo, Dolores Curran descobriu que famílias felizes assistem à televisão menos que as outras famílias.

COMPROMISSO COM A FAMÍLIA

A próxima qualidade foi expressa nestas palavras: “compromisso com a família”. O compromisso com a família se expressa de duas maneiras: 1) compromisso com a família como

um todo, ou seja, um compromisso para fazer a família funcionar e permanecer unida; 2) compromisso com os membros individuais da família.

Irmãos e irmãs geralmente ilustram o segundo princípio de um modo contraditório. Por toda a minha vida mantenho a seguinte filosofia: “Eu posso falar do meu irmão Coy, mas é melhor você não falar dele, porque ele é o meu irmão”.

Nos últimos anos, pesquisadores descobriram que todo o mundo precisa de um senso de “família”; todo o mundo precisa de raízes; todo o mundo precisa de tradições de família. Esses laços trazem estabilidade para as nossas vidas.

Muitas passagens falam do senso de “família”. Por exemplo, 1 Timóteo 5:4 diz: “Mas, se alguma viúva tem filhos ou netos, que estes aprendam primeiro a exercer piedade para com a própria casa e a recompensar a seus progenitores; pois isto é aceitável diante de Deus”. A NVI diz: “filhos ou netos… que aprendam primeiramente a colocar a sua religião em prática, cuidando de sua própria família e retribuindo o bem recebido de seus pais e avós, pois isso agrada a Deus”.

Outra passagem pertinente é 1 Timóteo 5:8:Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente”. Paulo observou

que até os descrentes têm um senso de família. Como é triste quando cristãos não têm esse senso! Onde começa o compromisso com a família? Começa com um pai e uma mãe

1) que estão comprometidos um com o outro e em fazer o seu casamento funcionar,

2) que crêem que Mateus 19:3–9 e passagens semelhantes ensinam que o casamento é     para toda a vida e

3) que estão cheios de amor agape — amor de compromisso, altruísta e incondicional — e   estão comprometidos em fazer feliz um ao outro.

Caso você ainda não tenha entendido, os pais são a chave para todas essas qualidades — o pai ainda mais que a mãe.

VALORES RELIGIOSOS

Outra qualidade das famílias felizes e saudáveis é “um elevado grau de orientação religiosa”.

O Dr. Stinnett observou que ter valores religiosos engloba frequentar os cultos da igreja e participar de atividades religiosas, mas inclui muito mais do que isso. Ele disse que famílias fortes são comprometidas com um “estilo de vida espiritual”. Em outras palavras, a fé esbarra em cada aspecto de suas vidas. Os pais comunicam aos filhos: “Fazemos o que fazemos por causa de quem somos, e somos o que somos por causa do que cremos”. Os pesquisadores descobriram que convicções religiosas profundas colaboram para uma família saudável. As convicções nos dão um senso de propósito e força para nossas vidas. Os membros da família adquirem apoio e força com o compromisso religioso. Ao estudarem religião, aprendem sobre paciência e perdão, como lidar com a raiva e a importância de atitudes positivas — todos essenciais a um lar feliz. Os valores comuns estabelecem as “regras” que são essenciais a famílias fortes e felizes.

Das seis qualidades alistadas pelo Dr. Stinnett, esta é a única em que eu faria uma leve alteração. Como o nosso tema é “A Construção de Famílias Cristãs Fortes e Felizes”, eu mudaria o que ele chama de “valores religiosos” para “valores cristãos”.

Citei “valores” em quinto lugar porque esta é a ordem usada pelo Dr. Stinnett. Tenho certeza de que você concordaria comigo em dizer que esta qualidade deve estar no alto da lista. Lembremos o texto bíblico que está nos servindo de base: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam”.

Muitos princípios poderiam (e devem) ser mencionados em relação a valores, mas enfocaremos quatro.

1) Para ter uma família cristã forte e feliz, tanto o pai como a mãe precisam ser cristãos fiéis, comprometidos com a causa de Cristo. Através da fé e do batismo, cada membro da família deve ser “revestido” de Cristo (Gálatas 3:26, 27).

2) Para ter uma família cristã forte e feliz, os pais precisam reconhecer que são responsáveis por ensinar e treinar os filhos, segundo as instruções do Senhor. Se houver aulas bíblicas para crianças, que isto seja uma ajuda suplementar, pois a responsabilidade primária está nos ombros dos pais (especialmente os homens; veja Efésios 6:4).

3) Para ter uma família cristã forte e feliz, todos os que já chegaram à idade da responsabilidade devem ser membros fiéis da igreja do Senhor. Não podem ser apenas “frequentadores da igreja”; devem ser membros ativos que consideram a igreja uma parte indispensável de sua “família mais ampla”.

4) Para ter uma família cristã forte e feliz, cada membro da família (começando pelos pais) deve se empenhar em praticar os princípios cristãos em todas as áreas da vida — começando dentro do lar.

A RESOLUÇÃO DE CRISES

A última qualidade é “a habilidade de lidar com crises de maneira positiva”. Uma “crise” é um problema de maior grandeza. Não podendo ser resolvido por vias normais, esse problema se torna uma crise. Famílias fortes têm crises assim como as fracas. A diferença está em como lidam com a crise: famílias fortes lidam com crises de maneira positiva.

Famílias saudáveis são basicamente aptas para lidar com crises de uma maneira positiva porque possuem as qualidades já mencionadas. Como seus membros passam tempo juntos e têm apreciação uns pelos outros, eles têm relacionamentos fortes que não se desintegram quando surgem problemas. Por se comunicarem, podem conversar sobre seus problemas. Por causa de seu compromisso com a família, não permitem que a família se separe. Por causa da fé, anteveem os benefícios possíveis que advêm de uma crise.

Lidar com uma crise não é fácil. Famílias saudáveis têm de lutar com seus problemas, assim como qualquer família. Entretanto, por causa das qualidades positivas em seus lares, elas emergem das crises mais fortes e unidas e não mais fracas individualmente.

Nenhum outro tipo de família consegue superar uma crise de maneira tão positiva como uma família cristã. Os membros de uma família cristã não só têm uns aos outros como ponto de apoio, mas também têm promessas como estas: Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito (Romanos 8:28).

Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações, sabendo que a provação da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança. Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes (Tiago 1:2–4).

CONCLUSÃO

Vejamos pela última vez as seis qualidades que estamos analisando. Numa família cristã forte e feliz:

1) A consideração é expressada.

2) Os padrões de comunicação são bons.

3) Os membros da família passam tempo juntos.

4) Os membros da família têm compromisso com a família.

5) Eles têm um elevado grau de orientação religiosa (isto é, cristã).

6) A família tem a habilidade de lidar com as crises de maneira positiva.

Precisamos ser realistas. Em determinados momentos, poucas famílias possuem todas essas seis qualidades. Cada família têm dias bons e dias maus, mas todos podemos trabalhar para instigar um grande aumento dessas qualidades em nossas famílias. Elas não são idéias irrealistas nem inacessíveis; todas são atributos ensinados na Bíblia.

Para termos famílias cristãs fortes e felizes, precisamos:

1) determinar que, com a ajuda de Deus, faremos nossas famílias serem o que devem ser,

2) começar a fazer o que famílias fortes fazem e

3) aprender a confiar no Senhor. “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças” (Filipenses 4:6)17 .

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