Uma Vida para Viver - 1 Timóteo 2

Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador (1 Timóteo 2:3).

A Palavra de Deus, com seu grande poder de salvar, projeta um estilo de vida tanto para os homens como para as mulheres. Naturalmente, se Deus desejou que o principal dos pecadores fosse salvo, e o convocou para o Seu ministério (1:12–16), então Deus certamente quer que todos sejam salvos (2 Pedro 3:9). O grande e amplo plano de Deus requer a oração dos homens (2:1, 2), provê um Mediador e uma mensagem (2:3–7) e apresenta um estilo de vida desafiador para homens e mulheres (2:8–15).

A Preeminência da Oração

ORAR POR TODOS OS ASPECTOS DA VIDA (v. 1a)

A comissão de Cristo para irmos a toda criatura (Marcos 16:15, 16) sempre será grande demais para mentes finitas a compreenderem. Precisamos da ajuda de Deus. Por isso, Paulo exortou a Timóteo e a nós a, “antes de tudo”, orarmos. Em se tratando de alcançar todos os homens, a oração é uma necessidade preeminente. A oração compreende um leque de variações, incluindo as súplicas. Quando ficamos confusos quanto aonde ir, reconhecemos nossa necessidade da ajuda divina (veja 2 Coríntios 3:4, 5; Mateus 7:7, 8). Diante disso, oferecemos “orações” . Nossas súplicas resultam de um desejo natural Liçao 4 2:1, 2 A Preeminência da Oração de falar com Deus. É nisto basicamente que consiste a oração. Conversar com Deus também pode envolver “intercessões” . A oração expressa tanto a necessidade real (uma solicitação) quanto a cooperação (o espírito de desejar fazer prevalecer a vontade de Deus); veja Mateus 26:39, 42; João 5:30; 6:38). Que privilégio maravilhoso é trabalhar com Deus e recorrer à ajuda dEle! Essas grandiosas possibilidades alcançadas pela oração criam uma necessidade natural de incluirmos em nossas petições “ações de graça” . Na avaliação da necessidade e do privilégio de trabalharmos com Deus, que adequada se torna a admoestação de Paulo: “dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Efésios 5:20; grifo meu).

ORAR POR TODOS (vv. 1b, 2a)

Onde quer que formos, jamais encontraremos uma pessoa pela qual não precisamos orar. A oração deve ser “em favor de todos os homens”. Convém se fazer uma ressalva especial aos que nos governam, pois oramos “em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade” (2:2). Os cristãos podem atender favoravelmente a essa exortação independentemente de onde morem ou do governo ao qual estejam submetidos. William Barclay observou o seguinte:

                Podemos fazer isso por causa do amplo leque de possibilidades que a oração nos permite. Se o governante for perverso, oremos pela sua salvação. Se ele for cruel, oremos pela sua                    sanidade. Se ele for cheio de luxuria, oremos pela sua pureza, se estiver enfermo, oremos pela sua saúde. Se estiver sendo pressionado, oremos para que tenha perseverança e autocontrole.                 Se ele for bom, oremos para que ele tenha constância para permanecer assim! Tertuliano escreveu: “O cristão não é inimigo de ninguém, muito menos do Imperador, pois sabemos que,                 sendo ele instituído por Deus, é necessário que o amemos e respeitemos, e honremos e desejemos sua segurança, juntamente com a de todo… o império”

ORAR POR UMA ATMOSFERA LIVRE DE TEMPESTADES E BRIGAS (v. 2b e c)

Oramos para alcançar uma vida “tranqüila” e “mansa”. “Tranqüilo” descreve um lugar livre de tempestades. “Manso” refere-se especialmente à libertação de reações e brigas humanas. Pessoas e situações podem interromper o bom alvo divino que Paulo apresentou nos versículos 3 a 5 — que todos sejam salvos e venham a conhecer a verdade. A chave para uma atmosfera desejável é fazer prevalecer duas virtudes: “toda piedade” (para com Deus) e respeito (para com todos que nos cercam). A pessoa “séria” “passa pelo mundo… como se ele fosse o templo do Deus vivo. Ela jamais se esquece da santidade de Deus ou da dignidade do homem. Tal pessoa tem a atitude certa para com Deus e para com o homem”. Que apropriado seria os atuais evangelistas exortarem os cristãos a orar por essas condições, num momento em que a violência, o terrorismo, as ameaças, o roubo, a extorsão, o aborto, abusos sexuais de todos os tipos e conflitos familiares estão em evidência tanto quanto o ar que respiramos! Não é fácil as pessoas ouvirem, ainda que sejam as “boas novas”, quando se encontram tão perturbadas e desconfiadas de seus próprios semelhantes, que hesitam aventurar-se sozinhas nas ruas à noite! Paulo estava rogando por uma atmosfera propícia à evangelização. E nós não teremos essa atmosfera, se não orarmos por ele.

A Provisão de um Plano

UM PLANO PARA TODOS (vv. 3, 4)

Não é só a oração que é em favor de todos, o plano de Deus também é para todos. Sua graça é suficiente para que “todos sejam salvos”. Jesus morreu por todos (2 Coríntios 5:14, 15), Ele nos manda ir a todos (Marcos 16:15, 16; Mateus 28:18– 20) e disponibilizou o evangelho a todos (Judas 3). Por meio desse evangelho todos serão julgados (Romanos 14:10–12; 2 Coríntios 5:10). Salvar almas do pecado apaga o passado pecaminoso (Atos 2:38; 22:16). O plano de Deus também é para que todos “cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (2:4). Muitos e muitos têm fracassado nessa área vital de preparar e amadurecer irmãos após serem estes batizados em Cristo (veja Mateus 28:18–20; 1 Pedro 1:22—2:2). Paulo não queria que os irmãos permanecessem ignorantes (1 Coríntios 10:1; 12:1). Paulo lhes ensinou segundo o que ele recebeu (1 Coríntios 3:2; João 16:12, 13; Hebreus 5:11–14). Enquanto não houver mais evangelistas preparados para fazer — e de fato fazendo — esse trabalho vital de amadurecer os membros, irmãos fracos serão um lugar-comum e continuaremos tendo congregações imaturas!

UM PLANO QUE TEM UMA SÓ ORIGEM (v. 5)

O plano divino de salvação provém de um único Deus, é viabilizado por um só Mediador, o qual Ele oferece como resgate por todos. A Origem desse grande plano é o Deus único. A divindade de nosso “Deus único” tem de ser reconhecida para que haja unidade entre a humanidade. Jeová não é só o Deus dos judeus, é dos gentios também (Romanos 3:29, 30). Por que o homem iria querer outro Deus? Ele é eterno (Salmos 90:1, 2; 1 João 1:1–3), onipotente e onisciente (Jó 42:1, 2; 1 Timóteo 6:15; Salmos 66:5–7). Deus é amor (1 João 4:8). Devemos nos regozijar por podermos nos relacionar com o Deus único.

                                        Deus está acima de todos.                                            Seu Poder 

                                        Deus é por todos.                                                           Sua Providência (Ef. 4:6; 2 Co 2:14) 

                                        Deus está em todos.                                                      Sua Presença

UM PLANO COM UM SALVADOR (v. 6)

O Salvador nesse plano é “um Mediador”. Pode haver muitos intercessores (veja 1 Timóteo 2:1, 2; Romanos 8:26, 27), mas há só um Mediador, o qual é um homem, não uma mulher. Alguns tentam colocar Maria, mãe de Jesus, em tal posição. Todavia, Maria exaltou a Deus como Senhor e alegrou-se com Ele chamando-O de “Deus meu Salvador” (Lucas 1:46, 47). Em João 2:5 vemos Maria instruindo os homens: “Fazei tudo o que ele [Jesus] vos disser”. Devemos fazer o mesmo e repetir o que ela disse naquela ocasião. Maria jamais deve ser vista como uma substituta do único Mediador entre Deus e o homem . Nossa redenção é possível porque esse Mediador, ou Advogado, tornou-Se o resgate (o preço pago; veja 1 João 2:1, 2) por todos. Que paradoxo! Aquele que nenhum pecado cometera carregou sobre o Seu corpo os pecados de todos (1 Pedro 2:21–24). Que injustiça para Ele ser o resgate, mas que redenção gloriosa para nós (1 Pedro 1:18–21; Hebreus 4:15, 16; 7:25–27; Efésios 1:3–7)! Como resultado, devemos ter corações gratos, que louvam para sempre a Origem e o Salvador que nos proporcionaram nossa suficiência (Apocalipse 5:9–14; 7:9–12).

UM PLANO DECLARADO POR PAULO, UM EVANGELISTA (v. 7)

A parte de Paulo nesse plano deu-se por designação, quando ele foi designado “pregador”. Seu papel de pregador foi, em grande parte, anunciar ou declarar a mensagem de Outro. Paulo também foi designado “apóstolo”. Isto quer dizer que ele não só levava a cabo as ordens mas também tinha autoridade para representar Quem o enviou e deu-lhe as ordens (observe João 13:20; 17:8, 18–21; Mateus 10:40). Além disso, Paulo foi designado para ser “mestre”. Para esses três encargos serem vistos de forma distinta, o pregador tinha de anunciar, ou proclamar, a mensagem; o apóstolo tinha de assegurar aos ouvintes a importância da mensagem com uma autoridade divina; e o mestre — função essa que desempenhava com maestria — tinha de capacitar o estudante a averiguar as informações partilhadas ou ordens dadas. O pregador prendia a atenção dos ouvintes, o apóstolo imprimia neles a seriedade do assunto em questão e o mestre esclarecia o conteúdo da mensagem (veja Atos 8:29–39; Romanos 10:13– 15). Certamente, Paulo foi capacitado para fazer tudo isso. Ele mostrou aos cristãos como deveriam andar (“na fé”; 2:7; 1:4, 5, 19; 2 Coríntios 5:7) e onde deveriam andar (“na verdade”; João 14:6; 2 Pedro 2:21, 22; Salmos 119:105). Sete áreas estratégicas foram apresentadas neste capítulo, e os evangelistas precisam manter o foco nelas: 1) oração, 2) conscientização de que a salvação é para todos, 3) reconhecimento do plano de Deus, 4) a posição de Cristo (único Mediador), 5) o propósito e a proclamação de Paulo, 6) o procedimento humano (“nossa fé”; 1 João 5:4) e 7) o caminho prescrito (João 5:39, 40; 2 João 9).

O Padrão de Conduta para Homens e Mulheres

A CONDUTA DOS HOMENS (v. 8)

A importância da oração ainda é uma ênfase neste contexto. Paulo queria que os homens orassem (“em todo lugar”; 2:8). Com certeza, a intenção de Paulo ao escrever não era subtrair as mulheres da oração em alguns lugares, mas incentivar os homens a estarem prontos para orar em qualquer lugar. Debates interessantes têm se travado sobre a oração no culto coletivo quando um líder religioso de algum outro grupo está presente. Podemos ir ao culto de adoração de outro grupo religioso e aceitar um convite para “dirigir uma oração”? O que dizemos na oração e como o dizemos sempre tem de ser comprovado pela verdade e pela sabedoria do alto, e devemos exercitar a prudência, para que nossa influência não promova sistemas falsos ou erros; mas Paulo levantou tais indagações quando expressou um desejo, guiado pelo Espírito Santo, de que os varões orem em todo lugar. Paulo orou na cadeia, tendo como ouvintes criminosos perigosos (Atos 16:24, 25). Nós devemos orar pelos que nos perseguem (Mateus 5:44). Devemos orar uns pelos outros (Tiago 5:16–18). Devemos sempre em tudo dar graças (Efésios 5:20). Devemos orar “sem cessar” (1 Tessalonicenses 5:17). Não é de admirar, portanto, que Paulo desejasse que os homens orassem em todo lugar! A maior preocupação de Paulo era o caráter e o procedimento dos homens que oram. Paulo pediu que os homens levantem “mãos santas”. Os judeus muitas vezes oravam nessa postura. A condição é o que Deus deseja — “mãos santas”.

Um homem com “mãos santas” teria uma conscientização da presença de Deus (assim como José) onde quer que estivesse (Gênesis 39:9; Salmos 18:20–24; Jó 1:1, 8; 2:3; Salmos 33:1; Provérbios 11:3, 6, 11, 20). Paulo não estava enfatizando aqui uma postura para se orar mais do que enfatizou o beijo como um gesto de saudação em Romanos 16:16. O que ele queria enfatizar é que nossas orações, saudações e vidas sejam santas! Se, por um lado a oração deve ser “com mãos santas”, por outro lado, há duas coisas “sem” as quais deve se fazer uma oração. Em primeiro lugar, ela deve ser “sem ira”19 . Depois de falar de “mãos santas”, Paulo usou nessa advertência uma palavra relativa a “alcançar”. Manter o controle das próprias mãos é algo difícil em qualquer situação, especialmente onde há pressões e paixões! Em segundo lugar, a oração deve ser “sem animosidade”20 . Os cristãos não devem instigar brigas. Já há problemas suficientes dentro e fora do reino que certamente irão nos desafiar, para acrescentarmos disputas desnecessárias. (Veja Mateus 22:15–22, 46; Lucas 23:39, 40; João 8:1–6.) Muitas noites não dormidas e travesseiros encharcados de lágrimas poderiam ser evitados, se todos os irmãos aprendessem com as admoestações de Paulo apresentadas aqui e também em Romanos 14:16–19.

A CONDUTA DAS MULHERES (vv. 9, 10)

A seguir, Paulo deu diretrizes específicas para as mulheres. Todas as mulheres — não somente as que estão em Cristo — se beneficiariam se seguissem as instruções que Paulo deu a Timóteo para que este as repassasse ao sexo mais belo. Essas qualidades marcariam as mulheres de modo que elas se distinguiriam no vestir-se e no comportamento, num mundo totalmente entregue à liberdade e a paixões descontroladas. Essa inspiradora passagem diz respeito ao vestuário da mulher, sua atitude, ação e relação com os homens. Tudo isso atinge o clímax com um tributo glorioso às mulheres, determinando como elas podem ser salvas. O Vestuário O Senhor quer que as mulheres “se ataviem” adequadamente. Essa simples afirmação contém quatro lições:

1) Deus deseja que a beleza e o atrativo da mulher recebam cuidado e atenção.

2) A beleza e o atrativo — moral e espiritualmente — devem ser identificáveis, em parte, pelas roupas da mulher.

3) As mulheres devem enfeitar-se — ou seja, aprontar-se, preparar-se. Essas regras excluem a idéia de uma aparência relaxada, desgrenhada e sem cuidados.

4) As mulheres devem escolher roupas modestas, bem coordenadas, respeitáveis e dignas.

Esse contexto denuncia que havia abusos nos dias de Paulo e Timóteo como “cabeleira frisada e com ouro, ou pérolas, ou vestuário dispendioso”. Obviamente, essas declarações sobre a vestimenta são questões relativas e variam de época para época e de cultura para cultura. Primeiramente, Adão e Eva não usavam nada e não tinham vergonha (Gênesis 2:25). Deus os fez assim, e isso era bom (Gênesis 1:26, 27, 31). Depois de se rebelarem, Deus fez roupas e os cobriu, o que também foi bom (Gênesis 3:21). Nos dias de Paulo havia algo que chamavam de “traje modesto” e o mesmo se aplica a todas as épocas. Toda mulher que busca agradar a Deus tem de ter certeza de que está se ataviando dessa maneira. Os dois extremos do excesso e da escassez de roupas devem ser evitados. Ouro demais, pérolas demais e roupas caras demais não combinam com uma mulher que professa “piedade”. Poucas roupas ou roupas justas demais, que estimulam os homens a olharem para o corpo da mulher com desejo, não podem se enquadrar num padrão “respeitável” e “honroso” (veja Mateus 5:27, 28). Senhoras, não é só o vestido ou traje que Paulo padroniza ou dita aqui, mas também a atitude ao se usar as roupas. A Atitude Interior A chave real para as mulheres usarem a roupa certa é que se revistam com as qualidades internas de “modéstia e bom senso” (2:9). Que valiosa e gratificante é a qualidade interna da “modéstia”. Aqui está a prova dos nove para a cristã. É possível evitar a vestimenta indecente criando limites para si mesma (veja 2 Samuel 11:2). Essa instrução demanda que a cristã esteja ciente da pureza e se eduque quanto ao que é uma roupa modesta dentro de sua cultura. A atitude adequada fará com que ela exercite uma cautela autêntica em relação a qualquer peça do vestuário que lhe seja indecente. A qualidade necessária para manter o padrão bíblico que Paulo apresentou é o “bom senso”. O termo implica o poder de impor limites a si mesmo. No contexto da carta, demanda que a cristã se preocupe com o que veste. Deus se importa! Não se trata de uma questão de somenos, sem importância, sem sentido para a irmã que tem bom senso. Quem não se preocupa com isso, tem muitas vezes convidado a corrupção e o sofrimento para sua própria vida. A jovem (ou velha) senhora que diz: “Não é da conta de ninguém o que eu visto!” esqueceu-se do Senhor! Essas duas qualidades, a modéstia e o bom senso, são as verdadeiras chaves para determinar qual roupa é apropriada. Os evangelistas que querem ajudar as mulheres nessa área devem certificar-se de que esses dois aspectos foram ensinados e desenvolvidos em cada mulher cristã. Somente então as roupas serão naturalmente escolhidas de maneira a projetar uma imagem respeitável e honrosa. Os Atos Exteriores Que o verdadeiro atrativo de uma mulher sejam as “boas obras” (2:10; Efésios 2:10). Em 1 Timóteo 5:9, 10, Paulo deu mais instruções sobre em que consistem as boas obras entre as irmãs em Cristo. Eram muitas as maneiras pelas quais as mulheres piedosas serviam (veja Atos 5:12–16; 9:36–41; Romanos 16:1–5; Filipenses 4:2, 3). Em geral, os homens são instantaneamente atraídos pela beleza feminina, mas essa atração durará para sempre se o varão vir na “auxiliadora” (Gênesis 2:20) os atos e feitos idealizados por Deus.

A SUJEIÇÃO DAS MULHERES (vv. 11–14)

Quando analisamos a relação da mulher com os homens, surge outro caso em que a sujeição leva a uma exaltação (veja Efésios 5:22; 1 Pedro 3:1–6; Mateus 20:26–28). Paulo apresentou um alvo e um guia nos versículos 11 a 14. O alvo é que a “mulher aprenda”. Observemos com atenção a natureza progressiva das palavras de Paulo. Ele queria que as mulheres aprendessem, se desenvolvessem e fossem informadas. O cristianismo como um sistema, em todas as eras e culturas, tem elevado e protegido as mulheres, alavancando o progresso delas — não por padrões humanísticos, mas pelo progresso moral, ético e acadêmico.

A orientação para esse aprendizado é que elas o façam “em silêncio, com toda a submissão”28 (2:11). Mesclados, esses conceitos mostram que Paulo pretendia proteger as mulheres de uma atmosfera reacionária, murmurante e de contestação. Aprender ou manter-se em sujeição nesse tipo de atmosfera dificilmente seria possível. Sendo assim, se no mundo as pessoas estão mais propensas a projetar idéias com um poder verbal impositivo ou atitudes reacionárias, a mulher cristã encontrará seu maior poder, dignidade e paz mental, se desempenhar um papel de sujeição e tranqüilidade. (Veja Romanos 12:20, 21.) Uma mulher impetuosa e barulhenta não ensina nem aprende com eficiência. É importante ver por que Paulo apresentou como parte da orientação às mulheres a virtude da “submissão” ou “sujeição”29 . Isso não rebaixa a dignidade de uma pessoa. Será que olhamos com menosprezo para Jesus porque Ele Se sujeitou ao homem e por causa do homem? (Veja Mateus 20:26–28; João 13:2–17.) A mulher deve se sujeitar: 1) aos homens (1 Coríntios 11:3), 2) ao marido (Efésios 5:22; 1 Pedro 3:1–6) e 3) na igreja (1 Coríntios 14:34, 35). Em último caso, evitemos qualquer pendência para um dos extremos. A chave em todos esses relacionamentos é que as mulheres se sujeitem. Observe a construção com “não/mas” usada por Paulo em sua declaração registrada em 1 Coríntios 14:34, 35:

                                        Conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina. Se, porém, querem aprender alguma                                         coisa, interroguem, em casa, a seu próprio marido; porque para a mulher é vergonhoso falar na igreja (grifo meu).

Será que essa passagem declara que uma mulher precisa ficar em silêncio na igreja em todas as ocasiões? Se for uma regra absoluta ela não poder falar, para manter-se submissa, então como ela poderia cantar? Cantar é obviamente “falar entre [os irmãos] com salmos… hinos e cânticos espirituais” (Efésios 5:19). Se sempre fosse “vergonhoso” para a mulher “falar na igreja” (1 Coríntios 14:35), também seria vergonhoso para ela cantar. Se é aceitável que uma mulher cante nos cultos da igreja estando ela em sujeição (o princípio que Paulo estava ensinando nesse contexto), será que ela pode confessar a fé em Cristo oralmente e manter-se em sujeição durante um culto da igreja? Poderia ela responder em voz alta (num espírito servil e submisso), quando o irmão que anuncia os avisos pergunta sobre a saúde de um membro doente? Havendo algum mal entendido quanto ao horário da reunião das senhoras, um presbítero que estivesse dando os avisos poderia perguntar qual seria o horário certo, dirigindo-se a uma irmã presente no auditório e permitindo que ela falasse em voz alta na assembléia (em sujeição)? As respostas a essas interrogações ilustram que, no contexto de 1 Coríntios 14, a ênfase de Paulo no “silêncio” ou no “não falar” da mulher diz respeito expressamente a um aspecto: ela deve permanecer em sujeição. É somente nesse sentido que se aplicam as palavras “silêncio” e “não falar”. Mantendo esse espírito de sujeição, Paulo acrescentou: “E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio” (2:12). (Veja a nota de rodapé 22 sobre a construção “não/mas”.) Paulo não estava condenando o ensino bíblico, nem estava se contradizendo em relação às mulheres poderem ensinar em certos lugares e circunstâncias (veja Tito 2:3–5; Atos 18:24–26; 21:9; Efésios 6:1; 1 Timóteo 5:14). As mulheres podem ensinar, mas devem fazê-lo exercendo um papel de sujeição (evitando um papel em que “exerçam autoridade”30 ). O papel de submissão da mulher é também explicado por Paulo através de dois acontecimentos do passado: 1) a ordem da criação — Adão foi formado primeiro, depois Eva (Gênesis 1, 2); 2) a ordem da rebelião contra Deus — a mulher caiu primeiro (Gênesis 3:6–16). Não podemos nos opor a esses acontecimentos como causas da sujeição da mulher mais do que podemos indagar a nudez inicial dos dois, alterada quando Deus os vestiu após a queda. Aquele que nos conhece melhor do que nós mesmos viu uma virtude e um valor em as mulheres servirem dessa maneira. (Veja João 2:25; Lucas 12:2; Apocalipse 2:13; Jó 42:1, 2.)

UM TRIBUTO ÀS MULHERES (v. 15)

Paulo preveniu-se contra todos que viessem tentar estigmatizá-lo como sendo contra as mulheres: ele enfatizou que foi através da forma singular que Deus planejou a mulher que o Salvador veio ao mundo. O versículo 15 diz: “Todavia, será preservada através de sua missão de mãe, se ela permanece em fé, e amor, e santificação, com bom senso”. É portanto através da “missão de mãe” que ela — e toda a humanidade — pode ser salva. Vejamos o que a passagem não ensina. Ela não ensina que a capacidade de procriar é essencial à salvação. O que isso significaria para uma mulher solteira ou para aquela cujo esposo é estéril? E o que dizer de uma mulher que, devido à sua própria condição, não pode gerar um filho? E o que dizer de uma jovem que morre antes de casar-se? A salvação da mulher não depende de sua capacidade de gerar um filho. A salvação da mulher também não depende da fidelidade de seus filhos, como alguns têm deduzido com base na expressão “se ela permanece em fé”. A alegação de que a salvação da mulher depende da fidelidade de seus descendentes viola o conceito apresentado em várias passagens (Apocalipse 20:11–13, por exemplo). O pai é tão responsável pelos filhos quanto a mãe (veja Efésios 6:1–4). Segunda Coríntios 5:10 e Romanos 14:12 mostram que cada um prestará contas a Deus. A fidelidade de um filho não pode garantir a salvação de seus pais. Mateus 10:35–37 e Lucas 12:51–53 declaram que alguns obedecerão e outros não. Se os pais não obedecem mas os filhos sim, será que esses pais poderão ser salvos com base na vida de “fé, e amor, e santificação, com bom senso” que os filhos levam? Certamente que não. Observe-se também que Paulo disse “sua missão de mãe” e não “a missão dos filhos”. Portanto, como confirmam as versões da Bíblia em português, a mulher pode ser salva se permanecer “em fé, e amor, e santificação, com bom senso [modéstia]”. Paulo resume aqui o que iniciou no versículo 9, onde usou o plural “mulheres”. A que se aplica a frase “preservada através de sua missão de mãe”? Seria difícil saber, não fosse o contexto. Paulo inseriu o nome Eva para explicar o papel de sujeição. E prosseguiu observando que se a queda e vergonha de Eva no jardim é uma marca que deprecia a mulher, a glória e grandeza dela são vistas em Maria, mãe do Senhor, devido à sua honra e dignidade. Através da missão de mãe — a missão especial — o Redentor nasceu (Gálatas 4:4). Isto é algo que o homem, a quem a mulher está sujeita, não pode realizar. Através da mulher o menino-Cristo, O enviado para ser o Salvador do mundo, veio (1 João 4:14). A salvação das mulheres, portanto, não depende da maternidade, mas do relevante fato de uma criança, Jesus Cristo, o Filho de Deus, ter nascido de mulher pelo Espírito Santo (Lucas 1:30–35; Mateus 1:18–23; Gênesis 3:15; Gálatas 4:4). Se ceder à tentação e pecar foi para a vergonha da mulher, o Salvador nascido de mulher foi para sua glória. Se foi a mulher que introduziu o pecado no mundo, também foi a mulher que introduziu o Salvador!

A mulher, então, assim como o homem precisa de Cristo e de Sua aliança. Nele há salvação, se ambos permanecerem nestas virtudes:

1) “Fé” – para dar força e segurança; Hebreus 11:1; Efésios 6:16; 1 João 5:4;

2) “Amor” – para servir sacrificialmente; João 15:13; 1 João 3:16–18;

3) “Santificação” – para servir constantemente;

4) “Bom senso” – para ter auto-controle no serviço. A irmã que permanecer e servir nesse padrão sublime estará usando muito bem o nome de “cristã” (1 Pedro 4:14–16). Que desafio o capítulo 2 apresenta sobre a vida que Deus quer que vivamos! Assim como Timóteo, nós devemos guardar firmemente “a fé e uma boa consciência” (1:19). Esse capítulo, que começou com um apelo fervoroso para que reconheçamos que Deus quer que todos sejam salvos, é encerrado por Paulo com uma exposição de como todos podem ser salvos! O capítulo desvenda esplendidamente o plano de Deus de nos suprir com a liderança de homens maduros. Carecemos que essa liderança nos ajude a viver a vida para a qual a aliança eterna do Senhor nos chamou!








Categoria:Estudo Bíblico

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