A Primeira Carta de Paulo a Timóteo - Introdução II

Introdução Parte 2 - Dayton Keesee

Em qualquer tipo de estudo, é extremamente importante saber os significados dos nomes próprios — nomes de pessoas, lugares e coisas — usados pelo escritor. É em cima dessa estrutura que se constrói a história, ou instrução. Isso não é menos importante no estudo bíblico do que em qualquer outro campo de interesse. Antes de estudarmos 1 Timóteo, vamos dar uma olhada nas pessoas, lugares e conceitos muitas vezes mencionados na carta.

AS PESSOAS EM 1 TIMÓTEO

Timóteo

“A Timóteo, verdadeiro filho na fé, graça, misericórdia e paz, da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor” (1:2). Timóteo foi um estudante, um amigo e um cooperador grandemente estimado de Paulo durante quinze ou mais anos. Nas duas cartas, Paulo referiu-se a Timóteo como um “verdadeiro filho na fé” (1:2), “filho” (1:18; 2 Timóteo 2:1) e “amado filho Timóteo” (2 Timóteo 1:2). O nome dele aparece seis vezes em Atos . É mencionado pela primeira vez como “um discípulo” que estava em Listra quando Paulo e Silas ali chegaram, na segunda viagem missionária (Atos 6:1). Timóteo começou desde então a viajar com Paulo e Silas. Timóteo era judeu, filho de mãe judia, e era do conhecimento de todos que seu pai era gentio. Por isso, teria sido negada a ele a liberdade de trabalhar entre os judeus, se ele não fosse circuncidado conforme a aliança abraâmica (Gênesis 17). Paulo Paulo mandava circuncidar jovens cristãos judeus — não por motivos religiosos, mas por motivos étnicos . Quando Paulo teve de partir da região de Tessalônica e Beréia, Timóteo ficou com Silas, e ambos combinaram de encontrar-se, em breve, com Paulo em Atenas (Atos 17:14, 15). Por não conseguirem chegar a Atenas conforme o planejado, Paulo ficou preocupado, mas prosseguiu até Corinto, onde, para sua alegria, os dois jovens finalmente chegaram trazendo notícias da situação das igrejas na Macedônia (Atos 18:5). Mais tarde, Timóteo foi mandado juntamente com Erasto de Éfeso até a Macedônia (Atos 19:22). Depois disso, esteve com Paulo na Grécia. Uma conspiração contra Paulo foi descoberta pouco antes dele partir pelo mar, para a Palestina. Timóteo, então, foi mandado na frente, atravessando o Mar Egeu até Trôade, juntamente com outros. Ali, o grupo tornou a se juntar a Paulo (Atos 20:4–6). Paulo fez uma prestigiosa saudação a Timóteo, na carta à igreja em Filipos; escreveu ele: “Porque a ninguém tenho de igual sentimento que, sinceramente, cuide dos vossos interesses” (Filipenses 2:20). Nas últimas semanas — ou dias — da vida de Paulo, o maior desejo dele era ver Timóteo chegar a Roma; quando deveria trazer-lhe alguns pertences e receber instruções para o futuro (2 Timóteo 4:13).

Himeneu e Alexandre “E dentre esses se contam Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para serem castigados, a fim de não mais blasfemarem” (1 Timóteo 1:20). Ambos eram falsos mestres que se encontravam na cidade de Éfeso. Paulo entregou-os a Satanás. Foram excomungados “a fim de não mais blasfemarem”. Himeneu também é mencionado em 2 Timóteo 2:17 e 18, juntamente com Fileto, ensinando que a ressurreição já havia ocorrido. 

Adão e Eva “Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva” (1 Timóteo 2:13). Adão foi criado antes de Eva. Portanto, ele teve prioridade na liderança e ela estava sob a liderança dele. Convém que a mulher geralmente esteja sob a liderança e proteção do homem.

Pôncio Pilatos “Exorto-te, perante Deus, que preserva a vida de todas as coisas, e perante Cristo Jesus, que, diante de Pôncio Pilatos, fez a boa confissão” (1 Timóteo 6:13). Ele foi procurador da Palestina durante o reinado de Tibério. Ouviu Jesus confessar Sua divindade e soberania como rei (João 18:35–37), apesar de negar qualquer antagonismo para com o governo civil. Paulo chamou a confissão de Jesus de “boa confissão”, recomendando-a aos seguidores de Jesus. 

OS LUGARES EM 1 TIMÓTEO

“Quando eu estava de viagem, rumo da Macedônia, te roguei permanecesses ainda em Éfeso para admoestares a certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina” (1 Timóteo 1:3).

Éfeso

A cidade onde Timóteo recebeu as duas cartas de Paulo é Éfeso. Essa cidade tinha grande importância comercial. Estando a poucos quilômetros da costa, dispunha de um dos maiores portos do mundo antigo. Localizava-se perto de onde o rio Caistro desemboca no mar Egeu. O tráfego em direção ao mar passava pela cidade através do rio Caistro. Três grandes estradas encontravam-se em Éfeso: 1) a estrada do Vale do Eufrates, que passava por Colossos e Laodicéia, 2) a estrada da Galácia que passava por Sardes e 3) a estrada do Vale de Meandro, que ia para o sul. Éfeso também tinha grande importância política. Era uma “cidade romana livre”, o que significava que nenhuma tropa de ocupação residia ali, e a cidade tinha um governo quase totalmente independente. Tão elevada era sua estima, que a chamavam de “a Suprema Metrópole da Ásia”. Éfeso tinha seus próprios magistrados, chamados strategoi e um concílio eleito pelos cidadãos chamado Boule. Havia também uma assembléia de cidadãos chamada ekklesia — que, incidentalmente, é a palavra traduzida por “igreja” no Novo Testamento. Todavia, é traduzida por “assembléia” quando se refere ao grupo dissolvido pelo escrivão da cidade, no último versículo de Atos 19. Éfeso era chamada de “cidade tribunal”, denotando que os casos de justiça mais importantes encaminhados ao governador eram ali julgados. Além disso, Éfeso sediava os jogos pan-ionianos em maio. Oficiais da província (estaduais) conhecidos como “asiarcas” organizavam e patrocinavam esses jogos. A maioria das pessoas sabe que Éfeso tinha grande importância religiosa. Desde a história antiga, sempre houve um templo na cidade. O construtor do primeiro templo é desconhecido. O segundo grande templo foi construído pelas cidades da Ásia, com a ajuda de Croeso, o rei extremamente rico da região chamada Lídia. Esse segundo templo incendiou-se na noite em que Alexandre, o grande, nasceu, por volta de 356 a.C. O terceiro templo foi o que conhecemos pela Bíblia. Foi consagrado à deusa grega Ártemis, conhecida pelos romanos como Diana. Esse templo é lembrado na história secular como uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. O Templo de Ártemis teria impressionado até mesmo as pessoas de hoje, acostumadas com edifícios imensos. Era sustentado por cento e vinte e sete colunas, cada uma sendo presente de um rei. Trinta e seis delas eram adornadas com gravuras ou revestidas de metais e pedras preciosas. O prédio propriamente dito tinha uns cento e trinta metros de cumprimento, sessenta e sete metros de largura e dezenove metros de altura!! O teto era de cedro e as portas de cipreste. Essas madeiras são admiradas por seu valor e resistência à deterioração. Dentro do magnífico templo havia uma imagem, a qual os adoradores pagãos acreditavam ser de Ártemis. Dizia-se que ela caíra dos céus e que era de cor preta, podendo, portanto, se tratar de um meteorito. Tinha a forma arredondada com a superfície coberta de glóbulos (bolhas como num meteorito?). Sendo Ártemis a deusa da fertilidade, as pessoas pensavam que essas “bolhas” eram muitos seios. Segundo contam, a imagem tinha uma clava numa mão e um tridente na outra e na sua base estavam cravados símbolos estranhos e secretos. Seria difícil cometer algum exagero ao se enfatizar a importância que o Templo de Ártemis tinha para a vida de Éfeso. O templo era um lugar de adoração e de asilo (ou seja, criminosos que fugiam para o templo antes de serem descobertos não podiam ser presos ali). Além disso, servia de abrigo de segurança para valores, assim como um banco moderno. Afinal, se os deuses não pudessem proteger o bem de alguém, quem poderia? No caso de Éfeso, o templo também era um ponto comercial. Crendo que o local trazia sorte, as pessoas compravam cópias das famosas “cartas efésias”, cravadas na base que sustentava a imagem de Ártemis. Éfeso era uma das cidades mais supersticiosas do mundo. O ocultismo estava tão profundamente enraizado ali, que havia muitos praticantes das artes ocultas entre seus cidadãos (Atos 19:18– 20). O trabalho de Timóteo certamente foi afetado pelo caráter dos efésios. Eram conhecidos por toda a Ásia como inconstantes, imorais e supersticiosos. O “filósofo chorão”, Heráclito, cidadão efésio, disse que nunca sorria por causa da perversidade de Éfeso. Dizia ele que a moralidade do templo estava abaixo da moralidade dos animais e que o único destino que cabia aos efésios era o afogamento. A igreja efésia teve início quando Paulo, Áqüila e Priscila pararam em Éfeso, na viagem de Corinto para a Palestina, por volta de 53 ou 54 d.C. Paulo discutiu com os judeus na sinagoga dali (Atos 18:18–21). Mais tarde, a igreja parece ter se tornado mais predominantemente gentia do que judia. Quando Paulo voltou, cerca de cinco anos depois, encontrou ali doze discípulos que haviam sido incorretamente batizados. Ensinou-lhes o que lhes faltava e imergiu cada um novamente (Atos 19:1–5). Nessa viagem missionária (a terceira dele), Paulo pregou na sinagoga durante três meses. Quando levantou-se forte oposição contra ele, passou a ensinar na Escola de Tirano durante dois anos (Atos 19:9, 10). A importância de Paulo unir-se ao trabalho em Éfeso é demonstrada pela sua permanência ali. Além disso, ele fez essa declaração quando, estando em Éfeso, escreveu aos coríntios: “…uma porta grande e oportuna para o trabalho se me abriu…” (1 Coríntios 16:9). A eficácia do evangelho naquela cidade é evidenciada pelo fato de os crentes efésios queimarem uma quantidade de livros ocultistas no valor total de cinqüenta mil moedas de prata (cerca de oito mil dólares) de uma só vez (Atos 19:18–20). Quando Paulo foi a Jerusalém pela última vez, por volta de 58 d.C., pediu que os presbíteros da igreja em Éfeso se encontrassem com ele em Mileto, para que ele pudesse preveni-los a respeito de certos acontecimentos futuros e darlhes adeus. O apóstolo trabalhara ali durante três anos e esses líderes foram preciosos para ele. Oraram e choraram juntos antes da partida de Paulo (Atos 20:17–38). Trinta anos depois da primeira carta ter sido escrita à igreja efésia, uma outra carta lhe foi endereçada como parte do Apocalipse de João. Essa carta descreveu o que a igreja havia suportado e revelou que a dedicação entusiasta da igreja havia diminuído um pouco (Apocalipse 2:1–7). Macedônia Mencionada brevemente, a Macedônia é a província [região correspondente a um estado] de onde Paulo escreveu a carta a Tito e a primeira carta a Timóteo (1:3).

CONCEITOS MENCIONADOS COM FREQÜÊNCIA EM 1 E 2 TIMÓTEO E TITO

Graça

Graça é um favor recebido sem mérito, sem merecimento, que Deus demonstra a homens e mulheres somente por causa do Seu amor por eles, possibilitando que sejam salvos. A graça é mencionada com freqüência nas cartas de Paulo aos jovens pregadores (1 Timóteo 1:2; 1:14; 6:21; 2 Timóteo 1:2, 9; 2:1; 4:22; Tito 1:4; 2:11; 3:7, 15). A salvação, que acontece pela graça, estava tão eminente na mente de Paulo que ele se referiu a Deus e a Cristo como “Salvador” mais nessas cartas do que em todas as demais juntas (um total de dez referências, seis das quais estão nos três capítulos de Tito).

Boas Obras

Paulo fez treze referências a boas obras nessas três cartas; sete aparecem nas duas cartas a Timóteo (1 Timóteo 2:10; 5:10 [duas vezes]; 5:25; 6:18; 2 Timóteo 2:21; 3:17). Se por um lado os cristãos não são salvos por causa de suas boas obras ou por terem feito boas obras, por outro lado eles são estimulados a cultivar a bondade e participar da prática das boas obras sem desistir. Fazer isso é seguir o exemplo de Jesus. Paulo usou a palavra “bom” com freqüência em outras expressões — por exemplo, “consciência boa” (1 Timóteo 1:5, 19; Hebreus 13:18), “bom combate” (1 Timóteo 1:18; 6:12; 2 Timóteo 4:7), “servo bom” (1 Timóteo 4:6) e “boa confissão” (1 Timóteo 6:12, 13).

Rei e Reino

Talvez por ter visto César reivindicando autoridade em todos os aspectos da vida dos cidadãos, Paulo tenha falado, com tanta freqüência e poder, de Jesus como “Rei” e “Rei dos reis” (1 Timóteo 1:17; 6:15) e tenha se referido ao Seu “reino” (2 Timóteo 4:1, 18) como o alvo final e mais valioso da vida. Ele nunca atacou as autoridades civis (veja Tito 3:1); na verdade, até incentivou que orassem em favor delas (1 Timóteo 2:1, 2). Por outro lado, separou o secular do espiritual, para que os cristãos entendessem que somente Cristo deve governar dentro e acima de todo homem.

Mocidade

Paulo queria que esses jovens, a quem ele treinara, entendessem como a obra deveria ser vista considerando-se a mocidade ou juventude deles. Corriam o perigo de não serem levados tão a sério como um trabalhador mais velho seria (1 Timóteo 4:12). A maneira como lidariam com tal menosprezo era crucial. Paulo instruiu-lhes a viver e falar de modo a ganhar o respeito até mesmo de seus maiores críticos (2 Timóteo 4:1– 5; Tito 2:15).

Cristologia

É impossível intepretar mal a cristologia de Paulo nestas cartas. Cristo é o Deus único. Ele é o Soberano abençoado e único. Ele é o Rei dos reis. Ele é o Senhor dos senhores. Ele é o Senhor (1 Timóteo 1:17; 6:14–16; 2 Timóteo 4:17, 18). Há muito material nelas para se ensinar os que negam a identificação de Cristo com o Deus “Jeová”. Essa negação é terrível e tragicamente errada. Só Cristo é Senhor.

Fonte: Biblecourses

Categoria:Estudo Bíblico

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